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Observatório Direitos dos Pacientes

Respeito, Dignidade e Segurança

Mês: dezembro 2016

Responsabilidade do paciente e a solicitação de exames desnecessários

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Comumente, médicos relatam que se o paciente sai de sua consulta sem um pedido de exame, o paciente não se sente plenamente atendido.

O médico italiano, Marco Bobbio, informa que a lógica de alguns pacientes é essa: “quanto mais exames eu fizer, mais dados sobre meu estado de saúde eu terei à disposição e, portanto, mais condições de evitar eventuais doenças” (1).  O problema, segundo Bobbio, é que há um número elevado de exames positivos, mesmo quando a pessoa não tem a doença, e também de exames negativos, quando a pessoa tem a doença. Além disso, alguns exames apresentam risco à saúde, como os que expõem o paciente a radiações e aumentam de “modo exponencial o risco de desenvolver tumores” (2).

Os pacientes, enquanto sujeitos de direitos, têm responsabilidade em relação ao seu próprio cuidado, por isso é importante que se atentem para a necessidade terapêutica dos exames.

Se, por um lado, campanhas de conscientização sobre a prevenção de doenças é essencial, por outro, há que se tomar cuidado com “check-ups e exames sem a presença de sintomas ou sem evidências científicas de que funcionem para rastrear doenças em certas faixas etárias” (3).

O cuidado em saúde do paciente é compartilhado com o médico, portanto, o paciente não deve se eximir de sua responsabilidade de se manter atento quanto à realização de exames desnecessários ou sem evidências científicas, da mesma forma, é importante que os médicos não busquem impressionar seus pacientes por meio da proposição da melhor tecnologia, mesmo quando não  adequada para aquele paciente (4).

O direito aos cuidados em saúde  seguros para o paciente vem acompanhado da busca pela informação sobre exames e o rechaço da ideia de “quanto mais se fizer, melhor”.

 

(1) BOBBIO, Marco. O doente imaginado. São Paulo: Bamboo, 2014. p.34.

(2) BOBBIO, Marco. O doente imaginado. São Paulo: Bamboo, 2014. p.34.

(3) FOLHA DE S. PAULO.

(4) BOBBIO, Marco. O doente imaginado. São Paulo: Bamboo, 2014. p.35.

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“Holocausto brasileiro”, documentário baseado no livro da jornalista Daniela Arbeux

Published / by / 2 comentários em “Holocausto brasileiro”, documentário baseado no livro da jornalista Daniela Arbeux

“Holocausto brasileiro”, documentário baseado no livro da jornalista Daniela Arbeux  ,também diretora do filme, retrata as condições desumanas e degradantes dos pacientes do antigo Hospital Colônia, um dos maiores hospícios brasileiros. Criado no ano de 1903 no Estado de Minas Gerais e em funcionamento por oito décadas, a instituição que visava atender pessoas com transtornos mentais se transformou em um depósito humano. Sustentada por uma ideia higienista, o hospital recebia pessoas incômodas para a sociedade, que foram, em sua maioria, internadas à força. A institucionalização compulsória dos pacientes foi permeada por suas condições precárias, invisibilidade social e violações de direitos humanos dos pacientes. Mais de sessenta mil pessoas morreram de fome, frio, doenças e fortes doses de eletrochoques. No maior período de lotação, dezesseis pessoas morriam por dia – um retrato da gestão da barbárie.

A questão dos direitos humanos dos pacientes institucionalizados é histórica no mundo e no Brasil. Infelizmente, ainda na atualidade, esses pacientes lidam diariamente com a discriminação, a restrição de sua liberdade e autonomia.

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